Segunda-feira, 11.05.09

 

 

       Por cá, neste nosso pequeno burgo, para sermos considerados “ bons” no que quer que façamos, e na área artística não é excepção,  a sombra lúgubre do velho ditado: “Santos ao pé da porta não fazem milagres” continua triunfante, a pairar e a reinar sobre as nossas cabeças.

             Para se ser “alguém” se não se tem muito dinheiro, é fundamental, aos olhos dos nossos compatriotas, ir primeiro receber a bênção do grande Deus que é o estrangeiro, para quando regressarmos com a aura da sabedoria, regressarmos “Papas” nas matérias da nossa vocação,  mesmo que delas não fiquemos a saber da missa a metade! O  que é imprescindível é ir para o estrangeiro, mesmo que por lá em muitos casos, não se saiba fazer melhor do que por cá, pelo contrário!

            Vivemos ainda, como dizia o Eça,  limitados pelo síndrome pacóvio da mais elementar subserviência em relação ao estrangeiro.  Este efeito vai permanecer enquanto não despirmos definitivamente as inibidoras cangas do passado  e olharmos para nós de uma maneira clara e profunda, sem complexos de qualquer espécie, e possibilitarmos a nós próprios a capacidade de nos vermos exactamente como somos. Só tendo consciência do que verdadeiramente somos, poderemos de alguma forma neutralizar os aspectos mais negativos do nosso comportamento,  aprendendo ao mesmo tempo, a ter um maior respeito  e a potenciar as  virtudes intrínsecas da nossa cultura, e a parti daí, com esforço e muita perseverança tirarmos o máximo  partido das nossas capacidades que ainda são algumas e boas, e com isso projectarmos e abrirmos sem medo de rasgar  fronteiras, (como os nossos antepassados fizeram outrora),  novos rumos para outros oceanos mais auspiciosos e estimulantes neste tão conturbado mundo contemporâneo.

 

  Há que desfraldar novamente o velame das naus...

 

 

 

 

 

 

 

 

            



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Sexta-feira, 13.03.09

"De facto, continuam a haver no mundo uns bonecos de carne e osso nunca suficientemente explorados: os artistas. A humanidade diverte-se incansavelmente a ver como eles são por dentro."

                                                                                                                           IRENE LISBOA



ARTIFANTASIA às 15:56 | link do post | comentar

Segunda-feira, 09.03.09

 

         Por vezes para se realizar uma obra de arte, é indispensável desfazer e refazer quase por completo a obra, até que ela se transforme no retrato expresso do que queremos transmitir, mas é fundamental neste processo, que o artista tenha uma noção do que quer, dê guarida e liberdade à imaginação, e tenha o talento, a vontade, e o conhecimento para o fazer.
 
          Nesta grande obra de teatro, trágico-cómica,  a encenação burlesca da "Política"  permite a alguns, terem o privilégio de escrever os guiões, a outros, permite serem actores a soldo dos primeiros, a outros é-lhes ainda destinado o papel de figurantes  a mando dos outros figurões desta tão grande e ilustre "companhia". Para os restantes: a maioria de nós,  sobra o papel de simples espectadores contribuintes, que pagam a peso de ouro esta encenação em que temos de fingir que vivemos, quando o máximo que nos tem sido possível fazer, é sobreviver!
 
        Os grandes artistas que têm possuído ao longo dos tempos, o poder de dirigir e manipular esta “obra” (obra prima do absurdo) têm sido, ao longo de milénios, as grandes ratazanas políticas, financeiras, económicas e religiosas do costume, que de tudo parecem saber, mas no fundo, só sabem e muito bem, todos os caminhos para atingirem os seus interesses pessoais ou de grupo. Em muitos casos, podem revelar uma imbecilidade enciclopédica, mas são suficientemente pragmáticas e espertas, para saberem explorar esse comodismo tão peculiar dos que se entretêm por condição cultural, intelectual ou anímica, a pensar nos grandes mistérios do mundo, e, mergulhados na sua proverbial distracção, não têm tempo nem disposição para se aperceberem de que são escandalosamente explorados e enredados pelas bem urdidas malhas do sistema, e que os seus próprios projectos pessoais, que os mantêm a navegar no mundo da lua, são altamente absorvidos e condicionados pelas decisões de tão ilustre rataria!!!
          Salvo raríssimas excepções, somos governados por medíocres! Só os mediocres têm disponibilidade mental e esperteza suficientemente interesseiras para explorar tenazmente como carraças, o filão da grande prestidigitação social, na qual alguns até são verdadeiros artistas! O problema é que os que supostamente não têm estes tão nocivos predicados,  se têm limitado impávidamente a ver os outros a  ditarem todas as regras, mesmo aquelas que lhes lixam a vida!
      Acho que é tempo de acordar! Acordar para uma outra maneira de ver as coisas, para uma outra maneira de viver, de construir e entender o mundo!        
       Refaça-se a obra!!!
        

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Sexta-feira, 27.02.09

 

 

 
      O célebre quadro de Gustave Courbet foi reproduzido numa capa de um livro, cuja exposição numa feira de livros em Braga, incendiou os ânimos puritanos dos jurássicos defensores da moral pública, que ficaram horrorizados com o terrível escândalo de verem na capa do tal livro, a marca satânica da mais hedionda pornografia!!! 
Estas criaturas, parece que saíram das tumbas dos áureos tempos da escuridão, onde o corpo desnudado era sinónimo de “sujidade”, algo ligado ao tenebroso mundo do prazer, da devassidão, do pecaminoso universo do desejo.
Por vontade desta gente, todos os artistas que fizessem nus, seriam obrigados a distribuir parras por todas as suas obras, como nalgumas épocas passadas!!!    
 
      Um órgão genital como uma vagina não é, e nunca poderá ser para elas, uma maravilhosa parte do corpo, tão respeitável como o rosto ou as mãos! Não conseguem desligar-se da visão hipócrita, obstinadamente imbecil e estúpida, cheia de moralismos perpetrados pelos desígnios insondáveis de religiões e culturas castradoras, que sempre impuseram nas sociedades, mentalidades de permanente inibição e vergonha do seu próprio corpo, semeando tabus e medos sobre a sexualidade, que passou a ser vista como uma coisa suja aniquilando e refreando assim, os impulsos mais belos e naturais que a mãe natureza nos deu!  Isso criou ao longo dos séculos, determinados comportamentos de tensão e frustração que originaram variadíssimas doenças psicossomáticas que todos conhecemos. 
 
      O sexo, praticado livre e conscientemente, tenha ele os contornos que tiver, os “gostos” que tiver, para além de ser a coisa mais natural deste mundo, porque sem ele não estaríamos cá!, é também uma das actividades mais belas, que nos proporciona um enorme prazer, estimulando e equilibrando corpo e espírito!
      A necessidade que algumas pessoas ainda têm, de condenar e policiar, ainda que por vezes de forma sub-reptícia,  tudo o que se possa relacionar  com sexo, poderá ser um indício de graves perturbações psíquicas, porque teimam em condenar o que de mais belo e fundamental existe para a nossa vivência e sobrevivência! Não são raras as vezes, em que são essas mesmas criaturas que às escondidas, chafurdam em delírios de depravação total, que só não são respeitáveis porque também não respeitam os outros.
 
      A verdadeira impureza, não reside no que se vê, mas na maneira como se vê! Há “olhares” que conspurcam tudo o que vêm!  E desta vez olharam numa feira, para uma capa de um livro, com uma reprodução de um quadro do Corbet retratando uma mulher nua, expondo os genitais!
 
      Foi tão grande a pressão que estas criaturas tão “sensíveis”, fizeram junto da polícia, que esta, muito “naturalmente”, como o próprio chefe referiu, limitou-se a cumprir a lei, confiscando todos os livros que estavam em exposição.
 
      Isto é o retrato confrangedor do estado miserável da cultura e da educação para o exercício da liberdade, que continua a grassar neste pequeno burgo!!! E denota também a falta de bom senso e preparação das polícias, para lidarem com a problemática da moral pública.
 
      Confundir uma magnífica obra de arte, com a mais nojenta e reles pornografia, não é cumprir a lei! É ser vesgo e contribuir para alimentar o monstro gordo e bolorento da ignorância, e impô-lo aos restantes cidadãos!
 


ARTIFANTASIA às 00:29 | link do post | comentar

Domingo, 01.02.09

 

"O COMEÇO É A METADE DO TODO"

 


sinto-me vivo!

ARTIFANTASIA às 22:05 | link do post | comentar

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